Hoje, tenho uma convidada muito especial: Nádia Henrique, uma designer portuguesa do grupo LEGO que estudou na Dinamarca e trabalha para o Grupo há quase três anos.
1- Fala-nos um pouco sobre ti: Já
sabemos que és LEGO designer, mas diz-nos de onde és, a tua idade e a tua
formação.
Fiz o meu mestrado em Design for
Play na DSKD (Design School Kolding), na Dinamarca. Decidi focar a minha
carreira no design de brinquedos e fazer este mestrado levou este sonho a outro
patamar.
2 - Até há poucos anos, a maioria
dos designers portugueses de LEGO eram AFOLs (Adult Fans of LEGO) que faziam
parte de grupos de fãs (LUGs), contratados pelas suas capacidades na construção
com LEGO, como Marcos Bessa, Tiago Catarino, Ricardo Silva e César Soares. Mas,
se não me engano, o teu processo de recrutamento foi completamente diferente.
Podes contar-nos como surgiu a oportunidade de trabalhar no grupo e como o
conseguiste?
Não tenho qualquer ligação com o universo AFOL. A minha formação é em Design Industrial e sempre quis trabalhar na indústria do design de brinquedos. Quando comecei a sonhar em tornar-me designer de brinquedos, o Grupo LEGO entrou no meu radar e era/é a empresa dos meus sonhos.
Decidi mudar-me para Kolding e
frequentar o mestrado, com o sonho de conseguir um estágio no Grupo LEGO. O meu
sonho tornou-se realidade e, depois de conseguir o estágio, nunca mais olhei
para trás e trabalhei arduamente para merecer um emprego, o que aconteceu.
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| (43282 Village House & Boat) |
3 – Nestes quase três anos,
presumo que já tenhas trabalhado num ou mais departamentos/temas. Em que temas
mais gostaste de trabalhar?
Como designer de brinquedos, foquei o meu desenvolvimento na área pré-escolar, pois fascina-me a forma como o cérebro se desenvolve durante os primeiros anos de vida de um bebé ou criança pequena. Tive a oportunidade de iniciar o meu percurso na LEGO na equipa DUPLO, focada em crianças de 1 ano e meio aos 3 anos. Permaneci lá cerca de um ano, onde tive a oportunidade de desenvolver dois conjuntos LEGO, e também trabalhei no conceito de outros conjuntos. Após esse ano, surgiu uma oportunidade de carreira na equipa 4+, onde trabalho atualmente. Esta equipa concentra-se na criação de conjuntos LEGO para crianças de 4 anos, abrangendo os diferentes temas LEGO. Atualmente tenho no mercado 3 conjuntos LEGO que desenvolvi em conjunto com a equipa.
4 – Mais recentemente, tens
estado mais envolvido com a linha 4+, que engloba vários temas (City, Ninjago,
Marvel e, creio, também DC e Disney, e talvez alguns outros). Dentro de todos
os temas da linha 4+, podes criar conjuntos para qualquer um deles, ou
concentras-te mais num ou dois temas específicos? Creio que já estiveste
envolvida em sets para Bluey e Marvel, por exemplo.
Na equipa 4+, temos a oportunidade de trabalhar em todas as diferentes linhas que abrangem a faixa etária dos 4 anos ou mais. A liderança decide em que linha vamos trabalhar para um conjunto LEGO, tendo em conta as nossas paixões, mas, no final do dia, estou feliz por fazer parte da equipa e por criar designs para qualquer linha. Atualmente, trabalhei com a Bluey, a Marvel, Spidey e Jurassic Park.
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| 77981 Velociraptor, Stegosaurus & Pteranodon Rescue |
5 – Sabemos que a linha 4+ serve,
de certa forma, como uma transição do Duplo para o chamado “system”. Também
criaste conjuntos Duplo, por isso presumo que haja uma grande ligação entre o
Duplo e a linha 4+, mas também existe uma ligação entre a linha 4+ e as outras
linhas City, Ninjago e similares, que criam conjuntos para um público com mais
de 5/6 anos?
6 – Antes de toda esta aventura
no mundo LEGO, qual é a tua primeira memória com o brinquedo? Foi algo que fez
parte da tua infância?
7- Se sim, passaste por uma "era das trevas"? (Nome que os fãs dão ao período de desinteresse, geralmente na adolescência e que se prolonga até à idade adulta). E o que te fez voltar a interessar-te pelas peças?
Sim, passei pela "era das
trevas", como dissete, quando cheguei à adolescência - acho que deixei de
brincar com LEGO e outros brinquedos com os quais costumava brincar, e comecei
a concentrar-me no desporto. Retomei o hobby na vida adulta, primeiro com uma
mentalidade de designer de brinquedos e depois comecei a comprar conjuntos e a
montá-los por diversão.
8 – Antes de trabalhar no grupo,
costumavas criar MOCs?
Como disse, não estava envolvido
no mundo dos AFOLs, pelo que os MOCs não eram algo que fizesse ou acompanhasse
na comunidade. Regressei a esse mundo através da minha formação académica, com
a perspetiva de um designer de brinquedos.
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| 11206 Spidey on his Motorcycle vs. Rhino |
9 – É do conhecimento público que
os designers, para além de construírem modelos fisicamente, também trabalham
com software digital para os projetar. Uns preferem construir primeiro com
peças físicas e só depois utilizar o computador (como César Soares, por
exemplo), enquanto outros fazem o contrário.
Podes falar-nos e dar exemplos do teu processo de construção para os teus projetos? Planeias com antecedência, construindo primeiro digitalmente, ou preferes ter as peças à mão?
Prefiro construir primeiro digitalmente e, quando necessário, construo fisicamente, principalmente para compreender melhor a estabilidade e a jogabilidade, o que pode ser difícil de compreender digitalmente.
10 – Atualmente colecionas LEGO?
Se sim, quais os temas? Como é o teu espaço de oficina/exposição LEGO?
Ou não tens nada e desligas
completamente assim que sais do escritório?
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| 76319 Captain America vs. Thanos |
11 – Se tivesses a oportunidade
de construir algo em LEGO, não importa o tamanho... O que farias?
Provavelmente algo relacionado com Lisboa, a minha cidade natal, pois adoro Lisboa e adoro falar sobre ela, por isso construir algo para a cidade onde nasci seria divertido 😊
12 – E quanto aos temas, existe algum em que gostarias de trabalhar?
Atualmente, estou no meu tema de
sonho, 4+, por isso, neste momento, vejo-me aqui por muito tempo 😊
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| 30686 My First Flower & Bee |
13 – O que é que a tua família e
amigos pensam do teu trabalho?
14 – Já participaste ou visitaste
algum evento LEGO ou algum organizado por fãs?
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| (10456 McQueen's Visit to Doc's Garage) |
5 – Como é a vida na Dinamarca?
Pelo que percebi, já vives aí há alguns anos antes de teres a oportunidade de
trabalhar com o Grupo LEGO, certo? Sentes saudades de Portugal ou já está
completamente estabelecida no país?
Adoro viver na Dinamarca. Vivo aqui há cerca de 6 anos e considero este local a minha nova casa. Adoro a cultura dinamarquesa e o povo dinamarquês, mas devo admitir que tenho saudades do sol de Portugal e, claro, a parte mais difícil... estar longe da minha família.
Conheci o meu noivo aqui. Ele é
dinamarquês, por isso, de certa forma, estou a alargar a minha família. Agora temos um lindo cão, um pastor alemão
chamado Bingo (para os fãs do Bluey... sim, é esse Bingo, lol).
16 – Costumas encontrar outros designers portugueses que trabalhem no grupo? Ou ainda outros portugueses noutras funções?
Vejo cada vez mais portugueses em
Billund, por isso a comunidade portuguesa está a crescer. É muito bom ver isto,
e sinto que, assim que conheço outro colega de trabalho português, nos tornamos
amigos instantaneamente. Acho que é a bela cultura portuguesa.
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| 11201 Playground Fun with Bluey and Chloe |
17 – Visitas Portugal com
frequência? E estás familiarizado com o que se faz com LEGO no nosso país?
18 – Como vês a tua relação com o
LEGO daqui a 10 anos?
Muito obrigada, Nádia, boa sorte
com os seus projetos e espero continuar a ver muitos conjuntos feitos por ti!
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